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Quinta-feira, Julho 02, 2009

Baby, you're my centerpiece

Ela estava visivelmente nervosa mas ele zás - nem penses nisso, miúda. E com um gozo tremendo, aproveita cada nota para lhe dar a mão e fazer-lhe uma festinha, sem precisar de lhe dar a mão nem fazer-lhe uma festinha. É claro que ele merece aquele abraço dela, no fim.


Quarta-feira, Julho 01, 2009

Kila menos 5 segundos


So lean ar aghaidh ag fás, ná teip, ná cúlaígh, cuir leis, cuir leat
Cúir do lorg ar an saol, agus leag do lámh air, fág do rian, sáigh fréamh. Faoin tálamh agus sú aníos do tina, do lón, do bhéile,
do bheatha, do bhéile, do bheatha, do bhéile beannaithe,
an méid atá ag dul duit, an méid atá uait, don saol atá i ndán duit san am atá le teacht.
Abair do phaidir agus cothaigh í, cothaigh í, cothaigh í, cothaigh í, siúl do bhóthar, scríobh do scéal, sín amach do chuid sciathán agus oscail do

...

[e por aí fora]

Terça-feira, Junho 30, 2009

Era a vida que não os favorecia

Quem frequentou ontem, neste blogue, a Licenciatura Instantânea em Sociologia, já sabe que as pessoas, não sendo más, também não são boas. A frase mantém-se válida para o caso de pessoas mortas mas, normalmente, a condição de defunto amplia as virtudes e suspende, com suavidade, as imperfeições daquele que desaparece em definitivo. Não causa assim espanto que, por exemplo, a morte de Michael Jackson nos faça pensar mais no talento pop que contamina cada segundo dos seus primeiros discos ou naquele moonwalk diabólico que lhe esticava o corpo, do que nas suspeitas de pedofilia, na disparatada vontade de trocar de pele ou na sua incapacidade para lidar com a vida adulta, sem recorrer a truques de infância, como se levasse sempre os Jackson 5 pela mão e o mundo à sua volta fosse uma réplica empobrecida de Neverland. Na verdade, fazemos isso sem esforço. São raros os casos em que nos lembramos das inevitáveis falhas dos falecidos ou, quando tal acontece, essas imperfeições afiguram-se-nos quase irrelevantes. E ainda bem. Num pequeno texto chamado «Margens do esquecimento» (vamos também esquecer rapidamente este título infeliz), Proust cita Michelet: «Diz-se que a morte embeleza aqueles que fulmina e exagera as suas virtudes, mas no geral era a vida que não os favorecia. A morte, essa piedosa e irrepreensível testemunha, ensina-nos, segundo a verdade, segundo a caridade, que em cada homem há habitualmente mais bem do que mal.». Não se pode dizer isto de uma forma melhor.

with stupid - © Daniel M.

© Daniel M

Segunda-feira, Junho 29, 2009

Mestrado instantâneo em Sociologia

Um gajo sozinho não vai lá. Mas em grupo também é lixado.

Licenciatura instantânea em Sociologia

As pessoas não são más. Mas também não são boas.

Quinta-feira, Junho 25, 2009

No Equador, os livros ficam pretos

Como não seria de esperar, pessoas bem colocadas no meio literário português (1ª Plateia, fila B, lugares 7 e 9), parecem determinadas em ocultar um dos factos mais relevantes para entender um certo tipo de angústia muito humana e que a publicação de 26 livros por ano não consegue dissipar. Felizmente, para os leitores atentos, existe o jornalismo de investigação e, para os desatentos, este blogue. O que esconde a letra éme de Gonçalo M. Tavares? Chapéus e emes há muitos, como se sabe. Não chegariam os dedos de todas as mãos para contá-los e aqui não pretendo recorrer aos dedos dos pés, sobretudo dos vossos. Pois bem, o b-site descobriu (acho este verbo extremamente adequado), depois de uma pesquisa minuciosa (este adjectivo parece-me bastante rigoroso, também), que o éme é a forma encolhida e envergonhada de escrever «MiguelSousa». Mas haverá alguém, em algum condomínio desta pátria, que ambicione conquistar a glória literária ou o coração pequeníssimo de Vasco Pulido Valente, capaz de resistir à publicação de 36 livros por ano com o nome «Gonçalo MiguelSousa Tavares» estampado na capa? Não há. E, para entender ainda melhor a difícil tarefa que seria encontrar um lugar digno para Gonçalo MiguelSousa Tavares (com este nome, imediatamente remetido para o Balcão Popular, fila Y, lugar 5), convém notar que a reprodução, em tamanho real, da fotografia de corpo inteiro de Gonçalo MiguelSousa Tavares resultaria muito mal na tenda da LeYa e teria dificuldade em fazer sonhar a mulher casada. É por isso que aquele éme ajuda Gonçalo MiguelSousa Tavares a cavalgar, sem embaraço, o perigoso condado da literatura portuguesa e a semear, todo contente, cada um dos seus 46 livros por ano.

Segunda-feira, Junho 22, 2009

E ainda está para nascer uma banda com um nome melhor do que «Transvision Vamp»



- «Transvision Vamp», que maravilha! - exclamou Oblonski, enquanto desapertava o botão da sobrecasaca.

A música deve ser feroz como uma dentada ou como um tigre

mas o «soft rock» tem também todo o meu apoio:

Quinta-feira, Junho 18, 2009

EN

Os exames nacionais do ensino secundário são, no fundo no fundo, detonadores de um raríssimo período histórico em que é possível encontrar, na via pública, raparigas adolescentes desvairadas, de óculos escuros e com perfumes de verão, suspirando ao telemóvel: «mas Sandra, tu compreendes o que é uma curva de Lorenz?».

Sem estalos

Quarta-feira, Junho 17, 2009

Not that far

Bart: Wow, my father an astronaut. I feel so full of... what's the opposite of shame?
Marge: Pride?
Bart: No, not that far from shame.
Homer: Less shame?
Bart: Yeaaaaah.


Numa edição algo remota do programa Câmara Clara, eu ouvi - com este aparelho auditivo que a terra há-de comer sem gosto - um convidado citar Bart Simpson para concluir um raciocínio filosófico sobre a culpa (mais coisa menos coisa, a citação foi esta: «se a culpa é minha, eu posso colocá-la onde quiser»). Nunca esperei ouvir alguém citar Bart Simpson no Câmara Clara. A minha alma ficou parva mas, descansem, já recuperou. A minha alma anda - como direi - impecável? no, not that far from parva.

Terça-feira, Junho 16, 2009

não quero pensar com os meus botões / quero pensar com os teus botões.

- Daniel M. (Bootlegs - volume 3, Love Songs)

Segunda-feira, Junho 15, 2009

This summer, you don't need to stay all the time in the b-site. You can go, for instance, to the

Domingo, Junho 14, 2009

A descontraída elegância (Top Disco)

Por razões que ultrapassam, a grande velocidade, o âmbito deste blogue, estive, há uns meses atrás, em contacto próximo com aquilo a que as entidades competentes classificam como música portuguesa. Depois de aturada visita às minhas memórias, às memórias alheias, ao acervo disponível e ao download ilegal, cheguei (não sem suor e algum espanto) a uma brilhante conclusão: mesmo após vinte e tal anos de esforço criativo de um punhado de gerações carregadinhas de vontade, a melhor música portuguesa, na categoria pop-rock, ainda é (falta-me aqui um envelope qualquer e uma Bárbara Guimarães tão decotada como ansiosa por terminar a minha frase em suspenso) esta:

Terça-feira, Junho 09, 2009

Política Vinte e Muitos

Segundo a minha própria bússola política, eu encontro-me à esquerda da extrema-esquerda e à direita dos ultraconservadores. Não há aqui nenhum engano. Imagino que isto não seja nada fácil de entender e, tenho quase a certeza, também deve ser bem complicado de explicar a pessoas que estão do lado de fora da minha cabeça. Mas, já que insistem, digamos que teria todo o gosto em encetar pequenas e súbitas revoluções em certos domínios que não lembram ao diabo, e preservar, para sempre, algumas coisas que não interessam nem ao menino Jesus.

Quinta-feira, Junho 04, 2009

Is it always like this?

Já no tempo em que a televisão era a preto e branco, os bailarinos de dança «contemporânea» revelavam uma inquietante vontade de se esbofetear. Este dois marmanjos aguentaram-se até quase ao final mas acabaram por não resistir à tentação do par de estalos. E foi pena, vê-los soçobrar assim, com a cura («the cure», em estrangeiro) ali tão perto. Excelentíssimos coreógrafos deste mundo, vamos lá trocar essas estaladas por beijos leves. Ou então por murros, ganchos bem dados. Antes o Rocky a nadar no lago dos cisnes do que sempre isto (a cara chapada daquilo).



Terça-feira, Junho 02, 2009

Junho

Foram dias, semanas, meses sem pousar as manápulas neste blogue e, apesar da dor, certamente profunda, certamente lancinante, que foi comendo de saudade o coração desprotegido dos meus leitores (arrisco o plural aqui), não houve nenhuma alma que tivesse entrado nos latifúndios da internet com vontade de me dedicar esta musiquinha. Suponho que é a isto que chamam: «a utilização desadequada das novas tecnologias».


Terça-feira, Março 24, 2009

John Wilkes

Este texto começa mal mas tem um objectivo. Já é alguma coisa. O principal intuito desta digressão, digamos assim, é falar de clubes ingleses sem que, ao fim de quatro frases, eu me transforme num João Carlos Espada engravatado e o meu telemóvel acrescente a funcionalidade politness à já precária opção de escrita razoavelmente inteligente. Parece um empreendimento difícil de levantar mas eu tenho a tarefa facilitada porque quero apenas resgatar um episódio do séc. XVIII. Além do mais, durante o tempo em que vivi em Inglaterra, nunca entrei em nenhum clube, nem bar de elite, nem em nenhum edifício que necessitasse de uma frase mágica ou de um soneto de Shakespeare para franquear as suas portas à entrada do meu corpo de atleta de baixa competição. A única vez em que estive perto de aceder a um espaço fechado a estranhos, a rapariga irlandesa que tinha ficado de me vir buscar à entrada, informou-me, num simpático sms, que era demasiado tarde, que a partir daquela hora já não deixavam entrar ninguém, nem sequer o Príncipe Carlos, tendo eu deduzido brilhantemente que seria provável que não abrissem uma excepção ou uma garrafa de champanhe para mim (é espantoso como em Inglaterra é demasiado tarde tão cedo, à mesma hora em que os madrilenos andam entretidos a terminar o vinho branco e aquela comida sobrevalorizada que eles lá têm). Enfim, o episódio que eu quero transcrever é breve, envolve dois senhores e está bem contado no livro «Conversation - A History of a Declinig Art» de Stephen Miller:

«Eglinton and Wiles remained on good terms, but in 1763 another club member, the Earl of Sandwich [grande nome] accused Wilkes of obscene and seditious libel. Because the Earl attacked a club member, he was expelled from the club. (When the Earl once said to Wilkes: "You will die, sir, either on the gallows [forca] or from the pox [sífilis]," Wilkes replied: "That depends, sir, on whether I embrace your principles [preceitos morais] or your mistress [garina].") »

Devemos exigir mais dos deputados Eduardo Martins e Afonso Candal.