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Terça-feira, Março 24, 2009

John Wilkes

Este texto começa mal mas tem um objectivo. Já é alguma coisa. O principal intuito desta digressão, digamos assim, é falar de clubes ingleses sem que, ao fim de quatro frases, eu me transforme num João Carlos Espada engravatado e o meu telemóvel acrescente a funcionalidade politness à já precária opção de escrita razoavelmente inteligente. Parece um empreendimento difícil de levantar mas eu tenho a tarefa facilitada porque quero apenas resgatar um episódio do séc. XVIII. Além do mais, durante o tempo em que vivi em Inglaterra, nunca entrei em nenhum clube, nem bar de elite, nem em nenhum edifício que necessitasse de uma frase mágica ou de um soneto de Shakespeare para franquear as suas portas à entrada do meu corpo de atleta de baixa competição. A única vez em que estive perto de aceder a um espaço fechado a estranhos, a rapariga irlandesa que tinha ficado de me vir buscar à entrada, informou-me, num simpático sms, que era demasiado tarde, que a partir daquela hora já não deixavam entrar ninguém, nem sequer o Príncipe Carlos, tendo eu deduzido brilhantemente que seria provável que não abrissem uma excepção ou uma garrafa de champanhe para mim (é espantoso como em Inglaterra é demasiado tarde tão cedo, à mesma hora em que os madrilenos andam entretidos a terminar o vinho branco e aquela comida sobrevalorizada que eles lá têm). Enfim, o episódio que eu quero transcrever é breve, envolve dois senhores e está bem contado no livro «Conversation - A History of a Declinig Art» de Stephen Miller:

«Eglinton and Wiles remained on good terms, but in 1763 another club member, the Earl of Sandwich [grande nome] accused Wilkes of obscene and seditious libel. Because the Earl attacked a club member, he was expelled from the club. (When the Earl once said to Wilkes: "You will die, sir, either on the gallows [forca] or from the pox [sífilis]," Wilkes replied: "That depends, sir, on whether I embrace your principles [preceitos morais] or your mistress [garina].") »

Devemos exigir mais dos deputados Eduardo Martins e Afonso Candal.

Saudade

A saudade é um feto da Serra do Buçaco, daqueles belos e assustadores, surpreendentemente maiores do que nós e de um exotismo algo deslocado.

Sábado, Março 21, 2009

Por toda a parte

«A Filosofia é, no fundo, saudade - instinto de estar por toda a parte em casa», escreveu Novalis. Gosto muito deste aforismo mas, se fosse eu o autor da frase (e já vou tarde), é quase certo que escreveria «Filosofia» usando letra minúscula e «saudade» com aquele S bem grande, para tornar claro a hierarquia a que sou fiel, às vezes mesmo contra a minha vontade.

Quarta-feira, Março 18, 2009

frutaria - © Daniel M.

© Daniel M

Tabela de honorários

Mas há ou não há uma pontinha de ironia, provavelmente involuntária, no facto desses magníficos retratos de notários não terem assinatura (reconhecida)?

Terça-feira, Março 17, 2009



Segunda-feira, Março 16, 2009

Twitter & Shout

Se o crescimento do twitter, uma ferramenta envelhecida a querer passar por gaja nova ou filha adolescente de um chat na reforma, acabar por matar a prosa mais lenta dos blogs, estaremos perante um insólito caso de pirueta civilizacional à rectaguarda, para o qual eu já tenho nome: «radio killed the video star» (depois inventa-se uma música qualquer para toque de telemóvel, de modo a completar o serviço fúnebre). O que é que estamos a fazer? Nada, como é óbvio.

Sexta-feira, Março 13, 2009

amanhã? oh é tão tarde / e já não há outra manhã / o tempo anda em contra-mão / a noite faz de ti alarde

- Daniel M. (Bootlegs - volume 20, Mais canções sem resistência)

Sábado, Março 07, 2009

Lady of a certain age

Qual a diferença entre o início do sec. XX e o arranque do sec. XXI? Em mil novecentos e pouco, para contar a história da decadência de uma aristocrata, em combate contra o envelhecimento e a tristeza, era preciso parir um romance de muitas páginas e ser Scott Fitzgerald. Agora, basta criar uma banda e deixá-la em casa, transpor alguns elementos de doçaria tradicional para a tessitura da guitarra acústica, entrar numa sala vermelha. E ser Neil Hannon.

Domingo, Março 01, 2009

Nick Fu Manchu Cave, Saddam Hussein, Tolstoi e os óculos escuros de Dylan e Lou Reed: