<body><script type="text/javascript"> function setAttributeOnload(object, attribute, val) { if(window.addEventListener) { window.addEventListener('load', function(){ object[attribute] = val; }, false); } else { window.attachEvent('onload', function(){ object[attribute] = val; }); } } </script> <div id="navbar-iframe-container"></div> <script type="text/javascript" src="https://apis.google.com/js/plusone.js"></script> <script type="text/javascript"> gapi.load("gapi.iframes:gapi.iframes.style.bubble", function() { if (gapi.iframes && gapi.iframes.getContext) { gapi.iframes.getContext().openChild({ url: 'https://www.blogger.com/navbar.g?targetBlogID\x3d15932754\x26blogName\x3db-site\x26publishMode\x3dPUBLISH_MODE_BLOGSPOT\x26navbarType\x3dBLACK\x26layoutType\x3dCLASSIC\x26searchRoot\x3dhttp://thebsite.blogspot.com/search\x26blogLocale\x3dpt_PT\x26v\x3d2\x26homepageUrl\x3dhttp://thebsite.blogspot.com/\x26vt\x3d-4232449209465221699', where: document.getElementById("navbar-iframe-container"), id: "navbar-iframe" }); } }); </script>

quarta-feira, novembro 09, 2005

The end of the world as we know it

Fernando Pessoa levanta-se um dia da caminha e vai fumar à janela antes de encher a pança. Lá fora estão o senhor da tabacaria e a menina dos chocolates. O vento lá fora. Mas Pessoa nunca começa naquele olhar em jejum. Ele principia sempre duas ou três horas antes de acordar, ainda suspenso do mundo, e é este estado que o persegue nas deambulações pela Lisboa que não existe, carregando dezenas de heterónimos, todos eles mais reais do que os eléctricos e os chapéus das mulheres que atravessam o Chiado.

Umas décadas depois Jardel (ponta-de-lança) fala aos jornalistas de um jogo de futebol e abandona momentaneamente o seu metro e oitenta e oito para dizer de fora o que lhe vai por dentro: O Jardel procura sempre fazer o melhor. O Jardel é ele, apesar da terceira pessoa do singular e do olhar no chão a fugir das câmaras.

Claro, Pessoa contém multidões e Jardel há só um (não é prático ter muitos heterónimos quando se procura fugir aos defesas) mas ambos sabem que aquilo que importa habita por perto.

Pessoa não se escapa nas odes de Ricardo Reis ou nas ovelhas de Alberto Caeiro (é, pelo contrário, uma forma de ser ele mesmo, mais vezes, à revelia dos dias tão estreitos) e Jardel, narrador de si próprio, está sempre na grande área à espera dos cruzamentos, percebendo que o resto do jogo é apenas um divertimento distante e quase sem relevância.

Os tormentos que doem a sério são os nossos e as alegrias que contam são, sem excepção, vizinhas da nossa mais íntima faceta. O amor o e o desamor, o gosto e o desgosto. A ferida no dedo do pé.

Hoje, nove de Novembro de dois mil e cinco, Fernando Pessoa e Jardel jantam em casa de Roger McGough que no fim da refeição irá ler um poema da sua autoria: Everyday / I think about dying. / About disease, starvation, / violence, terrorism, war, the end of the world. // It helps keep my mind off things. Depois, Pessoa e Jardel irão aplaudir o escritor britânico julgando, cada um deles, e com razão, que o poema lhe é a si especialmente dedicado. E quando os dois abandonarem a casa será Roger McGough quem ficará com a louça para lavar. Uma chatice.

Daniel M.