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terça-feira, dezembro 13, 2005

Instant Street

O vidro separa a rua da mesa do café. Cá dentro estão pessoas sentadas com copos e chávenas nas mãos e a luz é feroz. Do outro lado há árvores, carros e semáforos. Faz de conta que é de manhã, que ainda não leste o jornal e nem sabes bem a que horas começam as aulas. Tens os braços pousados na mesa e o casaco dobrado sobre os livros na cadeira em frente. Nas mesas que sobram há mulheres e homens alheados e, junto à parede, um miúdo e um velho folheando o jornal com as mãos de muitos cigarros. Pouca gente fala, talvez porque é demasiado cedo e já se sabe que, depois do sono, nos demoramos a habituar às nossas palavras e sobretudo às palavras dos outros. É talvez a surpresa que a voz leve mais tempo a acordar do que a pele, os braços e as pernas e sejamos, primeiro, apenas da biologia e da mecânica e só mais tarde, devagar, capazes de histórias bem ou mal contadas. O café é antigo e maior do que aparenta pois tem em cima uma mesa de bilhar e por baixo, provavelmente, um armazém escuro. Como as pessoas, pensas. Mas no fundo talvez não seja bem assim até porque nunca ninguém descobriu nada de importante de manhã, nada de verdadeiramente importante.

No espelho da parede há quem veja a forma como bebes o copo de água que nunca te esqueces de pedir e no mesmo espelho reparas que o café permanece tranquilo, que todos parecem estar desde sempre ali sentados. De súbito, alguém se levanta e num só passo atravessa o vidro como um fantasma faria se os fantasmas bebessem café e gostassem das manhãs com luz feroz. A mulher (é uma mulher) aparece agora um palmo acima dos carros, translúcida e belíssima, ensaindo piruetas e canções sem sentido contra o vento que lhe quer os cabelos.
No café ninguém se agita, ninguém diz nada. Mesmo que houvesse alvoroço e perguntas pouco mais se saberia daquele ou de outros mistérios. Não pela estranheza do acontecimento mas porque, impossível fingir, por mais vezes que se acorde, de manhã nunca ninguém descobre nada de importante.

Daniel M.