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quinta-feira, junho 01, 2006

Chandler

Através do blogue do Alexandre Soares Silva, descobri «A Guide to Classic Mystery and Detection» e fiquei com vontade de escrever sobre Raymond Chandler que é um pouco maltratado por lá, apesar de eu compreender algumas das críticas que lhe são dirigidas. Mentira. Não compreendo nada. Para mim Chandler é um escritor notável. Como sou corajoso ou preguiçoso, vou tentar explicar os meus motivos em apenas duas lições e, mais difícil ainda, usando um único livro: «Playback», o último policial que ele escreveu e que, para muitos críticos (não para mim), é talvez o mais fraco de todos, não sendo sequer mencionado no tal Guia.

Lição 1 - Quase no início da narrativa, Marlowe vê-se obrigado a vigiar os movimentos de uma rapariga que, a certa altura, se limita a ler numa sala. É então que, para explicar o enfado do detective, Raymond Chandler dispara: «The next hour was three hours long». Reparem, ele não diz que a hora seguinte lhe pareceu ter durado três horas. Ele escreve: a hora seguinte durou três horas. Isto é magnífico pois a forma faz jus ao mais importante: para quem espera, o tempo é a medida do tédio e não o avanço dos ponteiros num relógio. Este tipo de subtileza na construção das frases é difícil de encontrar na maioria dos escritores que eu conheço (sim, nesse também).

Lição 2 - Nos livros do Chandler as, os, as, os, as personagens são sempre duras mas ternas e os diálogos quase todos muito bons. Por exemplo, este:

«‘How can such a hard man be so gentle?’ she asked wonderingly.
‘If I wasn’t hard, I wouldn’t be alive. If I couldn’t ever be gentle, I wouldn’t deserve to be alive.’
»

Entendido? Então podem arrumar as coisas e sair (eu talvez vos siga de táxi, discretamente).