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sexta-feira, agosto 04, 2006

Bílé Inferno - Bittová & Václavek

Brno é uma cidade checa de média dimensão onde em 1929, uma mulher pariu um filho e - sem o saber - vários romances, soltando para o mundo esse Milan Kundera de que se fala, aquele que veio mais tarde a dedicar-se ao francês depois de ter tocado piano na juventude. Se Kundera fosse uma rapariga chamar-lhe-iam «prendada», sendo moço de barba rija não passará de «uma rica prenda» se a sorte o proteger de insultos maiores. Brno tem três consoantes e uma só vogal, o que é sempre desconcertante (que o digam os locutores de futebol que já tiveram a infelicidade de comentar jogos da Croácia com o avançado Prso e os amigos).

No início deste século - como sabe bem escrever isto - eu estive lá por breves dias. Numa loja de discos pedi ao rapaz solícito do balcão que me mostrasse alguma música de grupos ou cantores da Boémia e arredores. Música checa para ser mais preciso. Ele sugeriu-me Beethoven. Eu, não tendo resposta para aquilo e procurando alhear-me da quarta quinta sexta sétima oitava nona sinfonia, disse «checa» de novo. Imperturbável e para meu espanto, o rapaz reincidiu: Beethoven. Até ao disco vir parar às minhas mãos, Beethoven (o surdo) era ele, o rapaz solícito do balcão. Mas a música tratou de apaziguar-me porque Bittová, uma cantora e violinista checa, tem (para além de um nome que confunde) esse e outros feitiços.
Václavek, guitarrista dos bons, também entra nesta história.

A world music é um conceito inventado por anglófonos para explicar os sons que não entendem. Essas gavetas não interessam nada, já basta ter de arrumar as peúgas e as camisas nos armários. O que interessa é saber de que lado vem a música, se da rua, se do quarto escuro, se da garagem, se da varanda. Este é um disco de uma pequeníssima orquestra desfeita no pátio por um bando de crianças, perante a conivência de adultos que, sendo checos, não abandonam por completo a seriedade. Não é bem isto, claro, mas é impossível saber tudo sem ouvir os temas. Beethoven não o poderia fazer mas nós sim. E que me desculpe o velho compositor (uma vénia que equilibre a desfeita) mas eu quero é um busto de Bittová na minha secretária para colmatar o vazio que vai do candeeiro comprado nos saldos à prateleira dos livros. Menos do que isto será fraca homenagem.