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segunda-feira, setembro 04, 2006

Rentrée

Se, na rua, um jornalista nos ameaça com o microfone e inventa uma pergunta qualquer, é claro que não sabemos a resposta. O primeiro rei de Portugal? Quatro vezes sete? A capital da Croácia? E a Croácia, onde fica? Na rua não sabemos nada. Eu não sei nada na rua. Só em casa ou em salas com lareira é que me torno sábio, de cachimbo na mão e um mocho, a meu lado, adormecendo sobre a pilha de livros. Quando ando na rua sou apenas um tipo que vai de um lugar para outro. Por isso não acredito nessas entrevistas ao sol e à chuva e muito menos nas conclusões apressadas que delas se extraem enquanto o diabo esfrega um olho e deus ainda dorme. Os portugueses isto. Os portugueses aquilo. Uma incursão veloz no Rossio ou numa praça de província, de câmara na mão e óculos de massa, é atalho para as teses mais mirabolantes. Ora eu não acredito nessas estratégias preguiçosas. Mas gosto. O que me falta em fé sobra-me em prazer. Há poucas coisas mais divertidas do que certas entrevistas de rua. Uma vez, procurando perceber o grau de popularidade de alguns políticos, o jornalista de serviço pergunta a uma senhora: «E Marques Mendes?». Ela nem hesita: «Oh, sim. Para mim tudo o que seja música portuguesa…».

Não vale a pena conter o riso mas, a verdade, é que neste b-site tenho escrito pouco sobre política e muito sobre música. Às vezes, apetecia-me que não fosse assim. No entanto, quando tento escrever «Blair» sai-me «Blur» e se experimento invocar um documento bem conhecido, como a «Convenção de Genebra», as letras mudam-se lentamente e acabo por ficar com os «Fairport Convention» e uma dezena de discos na ponta dos dedos. É uma doença, uma febre, duas colunas em vez de pulmões. Minha senhora, escute: eu afinal compreendo-a. Bem vistas as coisas, Bush não é brilhante mas tem guitarra, bateria e baixo. E ainda havemos de descobrir que a Faixa de Gaza está num cd lá em casa ou que Kofi Annan é a voz negra e o fato perfeito que faltam aos Clã.