<body><script type="text/javascript"> function setAttributeOnload(object, attribute, val) { if(window.addEventListener) { window.addEventListener('load', function(){ object[attribute] = val; }, false); } else { window.attachEvent('onload', function(){ object[attribute] = val; }); } } </script> <div id="navbar-iframe-container"></div> <script type="text/javascript" src="https://apis.google.com/js/plusone.js"></script> <script type="text/javascript"> gapi.load("gapi.iframes:gapi.iframes.style.bubble", function() { if (gapi.iframes && gapi.iframes.getContext) { gapi.iframes.getContext().openChild({ url: 'https://www.blogger.com/navbar.g?targetBlogID\x3d15932754\x26blogName\x3db-site\x26publishMode\x3dPUBLISH_MODE_BLOGSPOT\x26navbarType\x3dBLACK\x26layoutType\x3dCLASSIC\x26searchRoot\x3dhttp://thebsite.blogspot.com/search\x26blogLocale\x3dpt_PT\x26v\x3d2\x26homepageUrl\x3dhttp://thebsite.blogspot.com/\x26vt\x3d-4232449209465221699', where: document.getElementById("navbar-iframe-container"), id: "navbar-iframe" }); } }); </script>

terça-feira, janeiro 30, 2007

Ask me

Acabaremos, claro, por nos cansar de ver e ouvir tantas siglas, tanta interrupção, tanta barriga à procura de dono, tanta ética e tanta algazarra para que no final tudo desemboque na escolha de uma palavra com uma única sílaba mas, peço desculpa, eu sou a favor deste referendo. E mais. Para mim era uma pergunta todos os meses, sem falha, e no 13º mês se fosse preciso. O parlamento é que me parece um órgão aborrecido e pesado. A malta agora organiza-se sozinha. Uns para um lado, outros para o outro e os últimos a aparecer vão à baliza. Não é necessário um campo para jogar, a rua serve como serviu sempre (estávamos era esquecidos). Os Gregos antigos (pré-Euro2004) devem sentir-se orgulhosos de nós, por estes dias tão dados à discussão política. Para alguma coisa nos há-de valer um primeiro-ministro Sócrates. E se o Cavaco fosse Platão ninguém nos parava.
Também gosto da pergunta. Basta responder sim ou não. Convém começar com coisas simples. Talvez depois, lá para o oitavo referendo, possamos introduzir respostas mais longas nos boletins de voto, com orações subordinadas e advérbios. Por enquanto está bem assim. Podia ser assado, diz o Marcelo Rebelo de Sousa. Pois podia. O que não falta são perguntas.

A discussão vai animada. A vida enfim, a vida portanto, a vida entretanto. Quando começa? Já começou? Os trailers contam? É o inferno. Tudo bem. Não é fácil decidir onde fica a linha que separa os dois territórios mas as fronteiras, ao contrário do que aparentam, são quase todas artificiais. Uns pozinhos de acaso histórico e o Elvas estaria a jogar com o Salamanca para a Taça do Rei ou teríamos Valentim Loureiro como presidente da câmara de Vigo (também há lá electrodomésticos). Mas o pior é que aparece, de vez em quando, no meio do ping-pong de argumentos, quem use a expressão «retrocesso civilizacional» de modo a atemorizar aqueles que pretendem a mudança. Aí, alto e pára o baile. Se há alguma coisa a que esta lei fecha os olhos é à componente civilizacional do problema. Para o bem e para o mal, neste mundo que nos serve de casa, nesta estrutura colossal que fomos construindo ao longo de séculos, um filho deixou de ser apenas um acontecimento biológico ou uma engrenagem no maravilhoso plano de Deus. Não é só o inescapável facto da ciência hoje nos permitir interromper uma gravidez com segurança e com poucos riscos para a mulher. Um «filho desejado» é uma ideia que acompanhou esse desenvolvimento científico e que se tornou, nesta nossa civilização já crescidinha, uma das mais relevantes se atendermos à forma como ela foi modificando o equilibrio das relações (julgo não estar a exagerar).
Ser demasiado nova, demasiado velha, demasiado pobre, demasiado sozinha podem ser razões caricaturadas pelos defensores da lei actual ou de outras ainda mais restritivas mas as mulheres que as invocam para interromper uma gravidez não o fazem por serem tontas ou bárbaras (algumas serão, quando muito, «Bárbaras») mas porque vêem o seu desejo (e o do homem se este andar por perto, já agora) como algo fundamental para que a maternidade se cumpra em pleno. Não se trata de querer ter um filho apenas nas condições ideais - não há condições ideais - mas ser intransigente quanto à mais importante de todas. E reparem que, neste contexto tão delicado, «vontade» não significa «capricho» (poupem-me ao argumento das mulheres desvairadas).

Deixemo-nos ainda de vigiar células e dedinhos como se fossemos inspectores do nosso começo. De certa forma, um filho até já pode existir quatro ou cinco semanas antes da fecundação se for esse o desejo dos pais que o imaginam. O afecto soprepõe-se à biologia. É ele que inicia a contagem do tempo, neste caso. No nosso caso, gente civilizada. Gente maldosa e cruel também? Bom, ninguém é apenas uma só coisa. Temos todos um pouco de Dr. Jekyll e uns quilos de Mr. Hyde. Se procurarmos bem, tanto podemos encontrar egoísmo numa mulher que interrompe a gravidez como noutra que pretende, a todo o custo, deixar descendência.

Um «filho desejado» é uma ideia que nos pertence enquanto civilização. Foram séculos e séculos para chegarmos aqui. Não é uma ideia perfeita. Nós também não somos perfeitos. É escusado escondermo-nos num vão de escada.