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quinta-feira, janeiro 03, 2008

He is not Jesus, though he has the same initials

Os gregos, como se sabe, têm um gosto musical tão apurado como o sotaque francês do Mário Soares ou as sopas instantâneas quando ingeridas fora dum contexto de privação alimentar. Como se sabe, para os gregos, não há música boa nem má. Há músicas para ouvir no carro de janelas abertas e outras que convocam esses momentos se o carro estiver longe ou as janelas permanecerem fechadas. Eu não sabia. Até ter frequentado em Inglaterra umas festas organizadas por gregos, imaginava Platão e Arisóteles com uma boa colecção de vinis, mas estava enganado. Como se não bastasse ter de aturar um Papaloukopoulos qualquer de metro e vinte que, sem falhas, me lembrava em cada um desses carnavais pós-Euro 2004: «We've beaten you..», voltando uns segundos depois para o venenoso: «twice». O futebol, como se sabe, é uma festa. Aquela festa é que não era festa nenhuma mas - tenham pena e humedeçam as pestanas - eu não sabia. Preciso de ler mais os clássicos.
Porém, durante cinco minutos, tudo melhorava. A sala tornava-se uma sublime caverna, a iluminação perfeita, as mulheres mais belas e as bebidas cresciam nos copos antes vazios. Durante cinco minutos, enquanto os Pulp cantavam o «Common People». Esta é uma história que merece ser contada porque (agradeçam-me) permite perceber que o patriotismo pacóvio também tem um lado bom: cinco minutos gloriosos numa festa. Por que razão passavam eles o «Common People»? Eu julgo - não confirmei - que tudo se deve aos versos: «she came from Greece, she had a thirst for knowledge». Se a tipa fosse da Letónia, nada feito, mas como era grega, safei-me. Foram só cinco minutos? É o que se arranja.

Este texto, por um longo caminho, serve também para lembrar que o Jarvis Cocker tem esse talento singular de incutir esperança nas músicas que canta. Não é útil apenas para festas gregas. Não funciona só no «Common People». Ele consegue trazer mesmo as músicas mais duras e sombrias para a varanda e sentá-las numa cadeira, oferecer-lhes um gin tónico ao sol enquanto as convida para um passeio de bicicleta. E elas todas contentes. Foi o que o sacana fez à extraordinária canção «Je suis venu te dire que je m'en vais» do Gainsbourg. Eu, pelo contrário, queria dizer-vos que estou de volta. Paciência.