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quinta-feira, maio 08, 2008

Ócio

O fenómeno é talvez antigo, terá remotas raízes seculares e certamente fundas mas, sem dúvida, agudizou-se muito nos últimos anos. À tradicional percentagem de produções reservada aos advogados, polícias, juízes e ao carrossel dos tribunais, juntaram-se outras com jornalistas, médicos, políticos, professores, cabeleireiras e um sem número de pequenas profissões prontas a servir de mote e motor para os filmes e séries de televisão realizados hoje em dia (como se não houvesse amanhã; e não é certo que haja), conquistando lugares de destaque nas mais diversas narrativas, do cinema à sitcom. E nada de férias. Nos elevadores de Manhattan e nos hospitais de Chicago, ninguém despe a farda. São retratos do trabalho, da vertigem dos prazos, dos delicados tormentos e amores que se fortalecem em corredores e salas de espera, testemunhados por funcionários pouco escrupulosos e na presença de objectos sensíveis como fotocopiadoras e máquinas de água com duas opções: frio e natural. A história entra às nove e sai às sete, cansada. Com sorte, a história recebe subsídio de Natal e 13º mês. Tudo isso corresponde a um movimento de certa forma previsível, acompanhando a crescente preponderância do ofício na vida das pessoas. Por outro lado, a explosão do desemprego (ou do seu fantasma) vai contribuindo, com o seu dízimo subtil, para a glamorização do trabalho. É natural que assim seja mas ser natural nem sempre é uma vantagem (só às vezes). É natural que os meus olhos desprotegidos doam quando conduzo contra o sol mas será melhor se, de óculos escuros, acelerar pela planície até ao mar. A inclusão sistemática de elementos que atam as personagens às minudências do quotidiano laboral, tornam os filmes mais sérios, capazes de abordar a problemática de não sei quê de forma muitíssimo complexa e implacável mas, enfim, não serve para levar a água a todos os moinhos. Por exemplo, a dois ou três moinhos que eu cá sei.

Se há algum pormenor que seja determinante para que possamos reconhecer à distância (numa festa, nos transportes públicos, na praia) um filme da «Nouvelle Vague», ele encontra-se no modo como as personagens se passeiam pelas ruas e cafés de forma ostensivamente ociosa, apesar de envergarem fatos, gravatas ou chapéus. Não é que eles não trabalhem, os vagabundos chiques. Alguns têm profissões extraordinárias e outros ocupações banais em escritórios muito pequenos ou quiosques mas nada acaba e, sobretudo, começa por aí. É essa leveza que permite, ao fabuloso trio do «Bande à part», correr de mãos dadas nas salas do Louvre ou arrastar um pouco a mesa de café para dançar. Essa mesma leveza que concede a Antoine Doinel o estatuto de glorioso despassarado numa mão cheia de filmes do Truffaut. E, de manhã, ninguém acorda com pressa. Os homens arriscam umas frases, às vezes mencionando - ao de leve - nomes de filósofos obscuros, enquanto se barbeiam ou fumam Gitanes à varanda e as mulheres demoram-se nos lençóis, belas e espirituosas, sempre com perguntas e respostas na ponta da língua e magníficos penteados que, só a custo, irão passar de moda. Depois, têm tanto tempo para a conversa que até chateia. Todo aquele francês irrepreensível e nós aqui, agora, mal articulando os erres, sem fato, nem gravata, nem chapéu mas ocupados até ao pescoço; atarefadíssimos como se, lamento dizê-lo, estivéssemos num filme (desta última vaga).